Após quase três décadas, é preso autor do homicídio contra o auditor fiscal José Aras

O assassinato do auditor fiscal José Raimundo Aras, ocorrido em 1996, ganhou um novo capítulo esta semana. Carlos Robério Vieira Pereira, condenado como executor do crime, foi preso em Manaus, na quarta (02), após 28 anos foragido. O colega foi morto após desvendar a organização criminosa “Máfia do Açúcar” — um esquema de sonegação de ICMS que operava na divisa entre a Bahia e Pernambuco.

Condenado a 18 anos de prisão, Carlos Robério estava foragido desde o crime, vivendo há cerca de 20 anos em Manaus (AM), onde se escondia da Justiça. Ele teria recebido R$ 11 mil pela execução. Os mandantes do homicídio também já foram julgados, com duas condenações e uma absolvição.

Relembre o caso

Aras foi executado com seis tiros à queima-roupa no jardim de sua casa, em Petrolina, por Carlos Robério — pistoleiro contratado para o crime. Segundo as investigações, os mandantes do assassinato foram Francisco de Assis Lima, conhecido como “Barateiro” (condenado a 17 anos), Carlos Alberto da Silva Campos (absolvido) e Alcides Alves Bezerra, que foi julgado em agosto de 2023.

O trio fazia parte da organização criminosa que ficou conhecida como Máfia do Açúcar, formada por empresários atacadistas acusados de adquirir açúcar com notas fiscais frias e sonegar ICMS em operações realizadas na divisa entre a Bahia e Pernambuco. José Aras atuava diretamente no combate ao esquema, no exercício de sua função na Secretaria da Fazenda da Bahia, quando foi brutalmente assassinado.

Segundo a delegada Deborah Barreiros, adjunta da Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros de Manaus, o grupo de empresários contratou o assassino para executar José Aras como retaliação ao seu enfrentamento contra o esquema de propinas. O auditor não cedeu às pressões e seguia atuando no combate à fraude fiscal.

Máfia do Açúcar

A “Máfia do Açúcar” foi uma organização criminosa que operou na divisa entre os estados da Bahia e Pernambuco, especialmente na região de Juazeiro (BA) e Petrolina (PE), durante a década de 1990.

O grupo era composto por empresários atacadistas do setor açucareiro envolvidos em um esquema de sonegação fiscal. Eles utilizavam notas fiscais frias para burlar o pagamento do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) nas vendas interestaduais de açúcar, causando prejuízos significativos aos cofres públicos.

O caso evidenciou os riscos enfrentados por servidores públicos no combate à corrupção e à sonegação fiscal, além de destacar a necessidade de proteção e celeridade judicial em processos envolvendo crimes contra agentes do Estado.

Salvador, 4 de abril de 2025 | Boletim 3143

Compartilhe:
Entre em Contato

Rua Maranhão, nº 211 - Pituba
Salvador - Bahia | CEP: 41.830-260

Redes Sociais

Você já é filiado?

Faça o seu Cadastro!
Rolar para cima