Este 31 de março marca os 61 anos do golpe militar de 1964, um dos eventos mais tristes da história do Brasil. O regime que se instalou a partir desse momento mergulhou o país em um período de repressão, censura e violação de direitos humanos, afetando profundamente a democracia e a organização dos trabalhadores.
O golpe que depôs o presidente João Goulart instaurou uma ditadura que durou 21 anos, marcada por atos institucionais arbitrários, perseguição política, torturas, assassinatos e desaparecimentos forçados. Entre as principais vítimas estavam líderes sindicais, jornalistas, estudantes e militantes que lutavam por liberdade e justiça social.
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Os servidores públicos e os movimentos sindicais também foram duramente afetados. Durante a ditadura, diversas entidades de classe foram fechadas, lideranças perseguidas e direitos trabalhistas suprimidos. No setor privado, os generais da ditadura indicavam os dirigentes dos sindicatos. No setor público, sequer sindicatos podiam funcionar. Ainda assim, a resistência dos trabalhadores e das organizações foi essencial para a reconquista da democracia, culminando na mobilização pelas Diretas Já e na promulgação da Constituição de 1988.
Retrocesso geral
É preciso falar da destruição das perspectivas de desenvolvimento nacional, com medidas regressivas, sempre atendendo interesses externos. Citamos, por exemplo, na área da educação, a implantação do acordo com a organização norte-americada USAI, que destruiu o ensino universal para impor disciplinas como a famigerada “Educação Moral e Cívica”, para doutrinar estudantes a defender a ditadura e seus generais, ensinando a juventude a admirar a cultura do amigo norte-americano.
Podemos citar também, no campo econômico, os acordos com o FMI, que nos levaram a um congelamento do crescimento do PIB ou a destruição da malha ferroviária para favorecer a cadeia da indústria automobilística, especialmente a norte-americana e europeia (Ford, Chevrolet, Fiat e VW) com consequências até hoje. Ou a queda de 30% no valor do salário mínino e aumento de 7% no estoque da renda dos 1% mais ricos do país, estes sim, os grandes beneficiários da ditadura.
Ou ainda os graves casos de corrupção nunca investigados ou punidos, como o da Coroa Brastel, Capemi, Grupo Delfin, negócios entre a Fazenda e a empreiteira Camargo Correia, a relação da polícia do exército com o contrabando no Rio de Janeiro, o caso Lutfalia, os negócios nebulosos com empresas nas construções da hidrelétrica de Itaipu, usinas nucleares de Angra dos Reis, da Transamazônica e da ponte Rio-Niterói, casos conhecidos, com farta literatura, mas sem uma única punição aos corruptos envolvidos.
Lembrar para jamais reviver
Passadas seis décadas, a memória desse período segue sendo fundamental para que o Brasil nunca mais retroceda do caminho da democracia. É essencial lembrar desse período não apenas para honrar aqueles que resistiram e muitos perderam a vida, mas também para garantir que atrocidades como as cometidas durante a ditadura jamais se repitam.
Nos últimos anos, a extrema direita brasileira tem buscado resgatar uma narrativa distorcida sobre a ditadura militar, tentando apresentá-la como um período de ordem e progresso. Essa tentativa de reescrever a história ignora as graves violações de direitos humanos, a supressão das liberdades individuais e o impacto econômico que resultou em crise e endividamento.
Diante desse cenário, é ainda mais urgente reforçar o compromisso com a verdade histórica e combater a desinformação que tenta relativizar os crimes cometidos pelo regime autoritário. E, ademais, lembrar desta data como uma mancha triste de nossa história, colocando-a no devido lugar dos episódios dantescos ocorridos no Brasil.
Visita ao Forte do Barbalho
O diretor do Sindsefaz, Cláudio Meireles participou da visita técnica ao Forte do Barbalho, em Salvador, organizada pelo Grupo Tortura Nunca Mais. O local, que foi o maior centro de tortura de presos políticos na Bahia durante a ditadura militar, carrega marcas profundas desse período sombrio da história do país.
A visita reuniu diversos representantes de movimentos sociais e sindicais, além de figuras políticas como as deputadas Olívia Santana e Alice Portugal e a vereadora Marta Rodrigues. Também estiveram presentes ex-presos políticos, que sofreram torturas nas dependências do forte.
Desde a Revolta dos Malês até 1964, o Forte do Barbalho serviu como local de interrogatório para presos políticos. Agora, a intenção é transformar o espaço no Memorial das Existências, resgatando e preservando a memória dessa época, para que as violações dos direitos humanos cometidas pelo Estado não sejam esquecidas.
Entre os relatos emocionantes da visita, Emiliano José, ex-deputado e jornalista, que foi detido e torturado pela ditadura, destacou a brutalidade praticada no local. “Foi um centro de tortura e exalava maldade”, afirmou.
A iniciativa do Grupo Tortura Nunca Mais reforça a importância da preservação da memória e da verdade histórica, garantindo que os erros do passado não se repitam.
Ditadura nunca mais.

Salvador, 31 de março de 2025 | Boletim 3136